quinta-feira, 15 de março de 2018

Tempo ao tempo

O tempo foi passando.... Chegou Natal, ano novo, meu aniversário, tentei esquecer, não deu. Meu corpo começou a dar sinais do sofrimento que eu sentia. Tentei me distrair, me afundei no trabalho. Passava mais tempo no escritório que em casa. Meu marido estava comigo, não me deixava um só minuto. Ele também sofreu comigo, também sentiu minha dor. A dor era nossa.

O enterro

A bíblia diz em Eclesiastes 7 versículo 2, que melhor estar em um velório do que em uma festa. Nunca tinha entendido esse versículo, até a morte da minha mãe. Verdadeiramente a gente só dá valor a alguém quando a pessoa parte. No caso do meu filho, o velório dele foi rápido, questão de meia hora. Na autópsia o deixaram muito diferente. Não parecia o bebê que tive. Eu o enrolei como se estivesse colocando ele pra durmir, e era o que ele estava fazendo, durmindo para a eternidade com Deus. A dor é indiscritivel, as lágrimas vem sem a gente forçar. Tanto que eu o desejei, mas Deus sabe de todas as coisas, e Deus sabia o que eu estava sentindo, pois o nosso Senhor também enterrou seu filho. Após o enterro, por dentro de mim, eu queria gritar, sair correndo, mas não pude, tinha meu outro filho e meu marido que estavam ali comigo, esperando a mãe mulher forte que eu sempre fui. Enterramos nosso Théo no domingo dia 05 de novembro. No dia 06 (segunda-feira) eu já estava no trabalho. Não podia me abater. Estava ali....

A Dor da Morte é Maior que a Dor do Parto

Começou minha dor. Sentia tanta dor, que não sabia mas nem o que fazer. Eu não tinha passagem para o parto. Foi feito uma indução ao parto. Me aplicaram um soro com remédios para que eu conseguisse ter meu bebê. E as 8:55h do dia 03 de novembro de 2.017, meu THÉO nasceu. Ele nasceu com 900 gramas, em um parto normal, com 28 semanas (7 meses de gestação), totalmente roxo. Meu bebê havia morrido dentro de mim. Ele deu um nó no cordão umbilical, onde as médicas me explicaram que é chamado nó verdadeiro, o próprio bebê, por se mexer muito acaba por fazer esse nó. Nenhum ultrassom havia detectado isso. Nenhum médico havia visto que meu Théo estava morrendo. A dor na hora do parto foi terrível, fiz muita força, a médica obstetra que me atendeu no centro cirúrgico foi um amor, (diferente da sem coração que me deu a noticia), ela me ajudou muito, juntamente com as enfermeiras que estavam no plantão. Quando meu bebê nasceu, tive a oportunidade de vê-lo. Tudo nele era perfeito, os dedinhos das mãos e pés, olhei cada detalhe, era meu filho, mesmo morto era meu filho querido, tão amado, tão pequeno, mesmo dentro de mim, não pude ajuda-lo. O sentimento de tristeza e uma dor inexplicável tomou conta de mim. Não consegui chorar na frente dele, queria ser forte, queria que fosse mentira, que tudo aquilo não estivesse acontecendo, queria que ele soubesse como eu o amava, fiquei com ele um tempo no colo, até que a enfermeira conversando comigo, me fez deixa-lo lá. Aquela dor insuportável do parto havia passado. Só me restava a dor da perda, o vazio de não ter mais meu bebê, de saber que iria ter alta, voltar pra casa, logo mais viria a rotina de trabalho, de casa, mas ele nunca estaria lá. Não perguntei ao Senhor o porque de tudo isso. Em minha rede social escrevi: " O Senhor me deu, o Senhor levou, Louvado seja o nome do SENHOR ". Nunca vou saber o que aconteceu realmente, mas o vazio que Théo deixou continua. A partida dele foi muito brusca, muito triste, mas não me pergunto o porque, ou o pra que ele veio ao mundo, tão rápido. Só agradeço a DEUS pela experiencia de ter tido um "Ser" dentro de mim, que por mais que durou pouco, me fez rir quando mexeu a primeira vez, não me deixou dormir por muitas noites, me fez passar mau por não gostar de alguma comida, me fez achar que eu podia ter novamente meus 20 anos, me deixou marcas no meu corpo que nunca mais saíram, mas principalmente, me fez feliz todo o tempo que esteve comigo.

O Susto

Dezesseis dias depois da briga que tive com meu sogro, e da revelação que Deus havia me feito, sentia uma dor nas costas. Era uma dor como de cólica. Estranha, mas não achei que fosse nada. Era dia 02 de novembro de 2.017. Quando chegou a meia noite, começou a apertar a dor, e eu acordei meu esposo e disse a ele, "estou estranha me leve pro hospital". Fui atendida de pronto no hospital do Ermelino Matarazzo, e o médico me disse que era uma dor normal, que eu voltasse as 7 da manhã para uma ultrassonografia, e exames de rotina, pois estava tudo bem. Só que pelas 6 da manhã, eu já com aguentava de dor. Voltamos ao hospital, e a dor apertou de tal maneira que comecei a vomitar, mas não havia nada pra colocar pra fora. Entramos na sala da médica. e ela me fez um exame de toque, e colocando um aparelho em mim disse: "Seu bebê já morreu." A dureza daquela mulher, foi como uma faca em meu coração. Ela não imagina como meu THÉO era querido, como eu já o amava, como já o desejava a cada dia. Como estava tudo pronto pra recebe-lo. Ela não sabia como estava meu coração, como estava minha alma, e ela simplesmente jogou essas palavras no nosso colo, como se meu bebê fosse um qualquer. Eu chorei.....

A Revelação

Aos 6 meses de Gravidez, eu já havia comprado quase tudo, e já havia decidido o nome do bebê. Descobrimos que era outro menino. Théo, seria o nome dele. Nossa, ouvi tanta critica por ser um nome pequeno, "que nome estranho" ouvi, mas o significado do nome era gigantesco. Mas, quando escolhi Théo, queria fazer uma homenagem ao DEUS que me criou, que havia permitido outra gravidez, que havia permitido eu gerar novamente mesmo depois de tanto tempo. E o Théo estava crescendo a data dia, e eu sonhava com ele. Um dia, após uma briga feia que tive com meu sogro, minha pressão subiu muito, e um sobrinho meu querido me chamou pra um culto no lar, na casa dele. Chegando lá, o Pastor ao pegar na minha mão, me deu a paz, mas ficou quieto. Me pus de joelhos e orei ao Senhor. O Final do culto, o pastor disse que havia visto uma mão linda, perfeita, descendo do céu, e pegando uma rosa branca num belo jardim, e levando para o céu novamente. Quando ouvi, pensei, sou eu. Eu vou morrer. E agora.... Meu marido ficará sozinho com um bebê pequeno, a ser criado sem a mãe, como ele vai fazer. E meu outro filho, só tinha 15 anos, já sem mãe. Eu tinha a certeza que o Senhor haveria de me levar. Orei muito.

As Brigas

Depois da gravidez, a minha vida e idéias mudaram muito. Um dos meus maiores enjoos, era meu sogro. Até a voz dele me irritava profundamente. Eu comecei a ficar mais tempo no meu serviço do que na minha própria casa. Parecia que era pura implicância de gravida, mas ele fazia questão de me provocar. Foi uma das partes mais difíceis da minha gravidez. Eu tinha uma vida tão boa, e de repente, havia duas pessoas dentro da minha própria casa, que faziam de tudo pra me provocar, eu com uma gravidez de risco, com uma pressão que variava entre 140x90 a 180x110. Chorava todos os dias, chorei muito em baixo do chuveiro pra ninguém ver. Meu esposo fazia tudo que eu pedia, afinal de contas, era um bebê tão esperado, havia nos revigorado como casal, e ao mesmo tempo estava sendo tão difícil pra mim aquela situação. Ele fica entre a cruz e a espada, pois enquanto por um lado era muita felicidade, pela gravidez, por outro lado, era bastante ruim, ele vendo o próprio pai e sobrinha, fazendo de tudo pra me irritar. Meu filho mais velho, vendo tudo isso, cada dia se revoltava mais e mais. Enfim, uma situação totalmente fora de controle. Minha vontade era sumir. Eu só me sentia bem no meu trabalho. O Bebê a cada dia crescendo, ele mexia muito e eu conversava muito com ele. Mas, em casa, a tristeza tomava conta de mim. Eu não conseguia ficar feliz.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Pressão

Tudo estava correndo bem. No meu trabalho eu procurava me adaptar. Ainda dirigindo, e exercendo a minha profissão de contabilista. Em casa, que o bicho pegava... Tive muito enjoo, tudo que eu comia, se o bebê não gostasse, jogava pra fora... Foram 4 meses de muito enjoo. Azia então, nem se fala. Estava grávida de um mini dragão 😂 Eu cuspia fogo em tempo integral. Que dificuldade. Mas, são problemas da gravidez. Vai passar os médicos diziam, é assim mesmo. Bem dizem que uma gravidez não é igual a outra. Não tive nada disso do meu primeiro filho, só mesmo a pressão alta.

A gravidez

Estou grávida!!! Depois de tanto tempo, 15 anos pra ser mais exata, eu estava grávida. Primeiro veio a sensação de pavor. Depois a alegria, com lágrimas, com medo, insegurança, afinal de contas a idade já era tão favorável, (38), e a saúde já não era mais a mesma. O teste da farmácia foi pouco, fiz logo exame de sangue... Mas era verdade, eu estava mesmo grávida, e feliz demais. Meses antes, morávamos apenas eu, meu marido é meu filho, Santhiago, e veio morar conosco meu sogro, por um tempo apenas. Em fevereiro de 2017, uma sobrinha do meu marido veio também fazer parte da família, no entanto de forma rude, havia sido colocada pra fora de casa pelo pai. Eu a recebi, não como minha filha, pq já tenho filho, mas sim como uma sobrinha querida. Muito mimada, ela sofreu um pouco pra entrar no ritmo da casa, mas afinal, quem estava em situação difícil era ela... Porém, depois de 2 meses ela já morando em nossa casa, minha cunhada jogou uma história no ar.... Que eu queria a filha dela pra mim, pois eu não podia ter mais filhos, disse. Entrei em meu quarto, e com sabedoria orei a Deus, que conhece meu coração, e de uma ajuda que eu estaria fazendo, ao mesmo tempo sendo julgada... E sem sombra de dúvidas, Deus, na sua infinita bondade, após 2 meses nos presenteou com uma gravidez. Era a mistura de alegria, com preocupação, enfim, como seria o parto, e os meses seguintes, como começar do zero. Tantas perguntas, tantas respostas. A princípio a preocupação maior era com minha saúde, tinha pressão alta gestacional, que foi detectada logo no início com 7 semanas. Foi quando o médico entrou com medicamento "metildopa", para o controle, fora AAS, Ácido Fólico, vitaminas, controle de peso e pressão. Tudo corria bem.

A gravidez

Estou grávida!!! Depois de tanto tempo, 15 anos pra ser mais exata, eu estava grávida. Primeiro veio a sensação de pavor. Depois a alegria...